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Geral

MPF na Comunidade: ação no Bailique resulta em 24 procedimentos para acompanhar demandas dos moradores

Após escutas em nove vilas ribeirinhas isoladas, o MPF no Amapá converteu queixas sobre água, saúde, pesca, segurança e transporte escolar em investigações, recomendações e uma ação civil pública

Data: 13/10/2026 • 11:22 Unidade: Procuradoria da República no Amapá
Imagem mostra procuradores da República realizando escuta com a comunidade.

Foto: Divulgação MPF

O projeto MPF na Comunidade resultou na abertura de 24 procedimentos para acompanhar demandas apresentadas por moradores do Distrito do Bailique. Os casos foram identificados durante a primeira edição do projeto, realizada em dezembro de 2024, quando uma equipe do Ministério Público Federal (MPF) no Amapá percorreu de barco nove vilas da região: Vila Progresso, Macedônia, Jaranduba, Livramento, Arraiol, Franco Grande, São Pedro, Carneiro e Buritizal. Durante a visita, o MPF ouviu as comunidades ribeirinhas para identificar quais direitos básicos não estavam sendo garantidos. Os dados fazem parte do balanço divulgado pela instituição, que apresenta avanços obtidos a partir das demandas identificadas durante a iniciativa.
A maior parte das demandas colhidas nas comunidades, de crises de abastecimento de água a superlotação de embarcações escolares, foi convertida em investigações formais e já apresenta resultados concretos, como o destravamento de recursos federais para dragagem de rios e a volta das provas do Enem ao arquipélago.
O projeto nasceu da constatação de que barreiras de transporte, comunicação e infraestrutura impediam moradores do Bailique de levar suas demandas até a sede do MPF em Macapá. Por isso, o MPF decidiu ir até as comunidades: em escutas públicas presenciais realizadas em centros comunitários, membros e servidores do órgão registraram um acervo de queixas estruturais nas áreas de saúde, educação, saneamento, energia e segurança pública. O diagnóstico de campo foi formalizado e deu origem à abertura de procedimentos extrajudiciais autônomos para cada uma das frentes identificadas.
Durante as visitas às comunidades, os moradores apresentaram ao MPF demandas relacionadas a oito temas principais: água, pesca tradicional, infraestrutura social, Enem, transporte escolar, segurança pública, assoreamento e saúde. A partir dessas demandas, foram abertos 24 procedimentos para buscar soluções e acompanhar cada caso. Desse total, 7 são Inquéritos Civis, 6 Notícias de Fato, 5 Procedimentos Administrativos, 5 Procedimentos Preparatórios e 1 Ação Civil Pública, movida contra o Inep após o fim das tentativas de solução pela via administrativa no caso do Enem.
Em 2026, oito casos ainda estão em andamento, entre eles o acompanhamento da dragagem do Rio Gurijuba, do transporte escolar e da pesca tradicional. Outros cinco foram encerrados depois que as demandas foram solucionadas, como a retomada da energia elétrica convencional no sul do Bailique, a instalação de painéis fotovoltaicos e o retorno do serviço Caixa Aqui. Quatro casos foram encaminhados ao Ministério Público do Estado do Amapá (MPE-AP) por tratarem de questões de competência local, dois foram reunidos a investigações que já estavam em andamento e cinco permanecem sob sigilo.
Resultados
Entre os principais resultados estão a realização do Enem 2025 no próprio Bailique, após cinco anos sem local de prova na região; a liberação de R$ 9,2 milhões para a dragagem emergencial de 11 quilômetros do Rio Gurijuba, na Vila Livramento; e a instalação de 274 painéis fotovoltaicos em comunidades do sul do arquipélago, sendo 144 em Limão do Curuá.
No caso do Enem, a medida foi obtida após o MPF recorrer à Justiça diante da negativa do Inep em criar um polo de aplicação no Bailique. A Justiça determinou a realização das provas na região. O MPF também recorre da decisão que negou indenização por danos morais coletivos aos estudantes prejudicados entre 2020 e 2024.
O projeto foi conduzido pelo procurador-chefe da PR/AP, João Pedro Becker Santos, e contou com a participação e servidores e dos procuradores Pedro Afonso Arenhardt Eidt e Aloizio Brasil Biguelini.

Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal no Amapá
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