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Pará

Indígenas
16 de Maio de 2022 às 19h15

MPF acompanha ameaças de ataques contra aldeias da Terra Indígena Apyterewa, em São Félix do Xingu, no Pará

Indígenas de recente contato foram avisados por moradores da região que estariam sendo preparados ataques contra aldeias

Foto de vários indígenas com saias de palha e cocares de penas em área gramada. No canto inferior esquerdo da foto, o texto Direitos Indígenas.

Foto: Mídia Ninja, via Apib (CC BY-SA 2.0)

Uma das terras indígenas mais invadidas do país, a Apyterewa, do povo Parakanã, entre os municípios paraenses de São Félix do Xingu e Altamira, vive momentos de tensão desde domingo (15), quando começaram a correr ameaças de invasão de aldeias. O Ministério Público Federal (MPF) foi alertado e acionou imediatamente as forças de segurança.

Ainda no domingo, foram avisados o superintendente da Polícia Federal em Belém e o delegado de Redenção, cidade mais próxima ao possível local dos ataques. A área é de difícil acesso, por isso MPF e órgãos de segurança tentam viabilizar medidas prioritárias de segurança para evitar violência contra as aldeias Parakanã.

Hoje (16) novos relatos de ameaças chegaram ao conhecimento dos procuradores da República que acompanham o caso, em Redenção, e medidas administrativas e judiciais de proteção aos indígenas que já estão em curso serão imediatamente intensificadas.

Relatos - Os relatos chegaram ao MPF por meio de áudios em que indígenas contam da chegada de não indígenas que teriam vindo avisá-los da organização, por fazendeiros, de equipes para atacar aldeias recém-abertas pelos Parakanã. Hoje, alguns dos áudios diziam que os homens teriam de fato cercado uma das aldeias.

A terra indígena Apyterewa é uma das mais invadidas e mais desmatadas do país. Homologada desde 2007, teve a sua desintrusão – retirada dos invasores não indígenas – prevista como uma das condicionantes prioritárias antes das obras da usina de Belo Monte.

O MPF processa o estado brasileiro para obrigar a desintrusão e desde 2009 pede à Justiça Federal que multe o governo por não cumprir as decisões judiciais. Conflitos com fazendeiros e grileiros são frequentes na área e nos últimos dois anos invasores confrontaram diversas vezes fiscais ambientais e servidores da Funai que trabalhavam na área, chegando a atirar bombas contra eles.

 

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