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5ª Região

Cronologia dos acontecimentos segundo a obra do jornalista Marcos Cirano

(julho de 1981 a outubro de 1982)

(CIRANO, Marcos. O escândalo da mandioca e o assassinato do procurador. Recife: Calandra Editorial, 1982. p. 18-43.)

20/7/1981 - O diretor de crédito rural do Banco Central, José Kleber Leite de Castro, disse que tanto o Banco Central quanto o Banco do Brasil tomarão medidas para recuperar os recursos desviados do Proagro no município de Floresta. Disse também que ainda não é conhecido o valor real da fraude; que desde março foram identificados “indícios de ocorrências relativas ao Proagro” na agência do Banco do Brasil em Floresta; e informou que ainda naquela semana receberia da Delegacia Regional do Banco Central em Pernambuco o relatório das investigações feitas por inspetores dos dois bancos.

20/7/1981 - O deputado estadual Vital Novaes, vice-líder do PDS na Assembleia Legislativa de Pernambuco, fez declarações à imprensa negando ter comprado uma camioneta C-10 e um apartamento com financiamento de custeio agrícola da Agência do Banco do Brasil em Flores.

31/7/1981 - A Polícia Federal em Pernambuco informa, através da assessoria da Superintendência, que uma equipe de agentes encontra-se em diligências para capturar três pessoas envolvidas na fraude da agência do Banco do Brasil em Floresta, todos com prisão preventiva decretada desde o dia 29, acusados de falsidade ideológica, peculato e estelionato. Segundo a Polícia Federal, o inquérito para apurar a responsabilidade dos três acusados - Antonio Oliveira da Silva, Edmilson Soares e Jarbas Salviano Duarte - já foi instaurado e os três estão enquadrados nos artigos 171, 299 e 312 do Código Penal.

31/7/1981 - O diretor regional do Banco do Brasil, Aristhóphanes Pereira, diz que “os valores apurados pelo Banco do Brasil foram de Cr$690 milhões e não de Cr$122.693.438,79”, como consta da portaria do ministro da Fazenda, Emane Galvêas, que determinou a prisão administrativa dos funcionários públicos envolvidos na fraude da agência do Banco do Brasil em Floresta.

21/8/1981 - A Polícia Federal em Pernambuco informa que 49 pessoas já estão indiciadas no inquérito que apura a fraude na agência do Banco do Brasil de Floresta. O jornal O Globo, do Rio de Janeiro, informa, no dia 22/8/1981, que “até a sua conclusão, o inquérito deverá indiciar ainda cerca de 300 pessoas, a maioria fazendeiros e funcionários do banco”.

25/8/1981 - A Polícia Federal em Pernambuco informa, através da assessoria da Superintendência, que 150 pessoas já foram indiciadas no inquérito que apura a fraude na agência do Banco do Brasil em Floresta. Informa também a Polícia Federal que um dos envolvidos na fraude, o ex-gerente do banco, Edmilson Lins, já se encontra preso e teve todos os seus bens confiscados.

21/11/1981 - O jornal O Globo, do Rio de Janeiro, informa: "O ex-chefe do setor de operações rurais da agência do Banco do Brasil no município de Floresta, Eduardo Wanderley Costa, negou, em depoimento prestado na 1ª Vara da Justiça Federal, a existência de uma quadrilha, ou sociedade criminosa para desviar dinheiro da agência em que trabalhava. Além de Eduardo Wanderley foram também ouvidos outros implicados no Escândalo da Mandioca: o ex-chefe da carteira de empréstimos da agência, Jarbas Salviano Duarte, e o gerente Edmilson Soares Lins.

4/12/1981 - A Polícia Federal em Pernambuco prende, num bairro do Recife, o fazendeiro Antonio Oliveira da Silva (o Rico), que e as 14ª pessoa indiciada no inquérito que apura o caso de fraude no Banco do Brasil em Floresta, conhecido como o Escândalo da Mandioca.

16/2/1982 - O juiz Genival Matias de Oliveira, da 1ª Vara da Justiça Federal, em Pernambuco, recebe a denúncia contra o deputado estadual Vital Novaes (PDS), o major Antonio Ferreira dos Anjos, o coronel da PM Audas Diniz de Carvalho e a tabeliã Ana Maria Barros, todos indiciados pela Polícia Federal em Pernambuco no inquérito que apura fraude no Banco do Brasil em Floresta, caso conhecido como o “Escândalo da Mandioca”.

18/2/1982 - O jornal O Globo, do Rio de Janeiro, informa: "O inquérito enviado pela Polícia Federal em Pernambuco à Justiça Federal, indiciando os implicados no chamado Escândalo da Mandioca, acusa o coronel da Polícia Militar Audas Diniz Carvalho Barros de ter tramado um incêndio na agência do Banco do Brasil em Floresta. Segundo o inquérito, Audas, juntamente com o major PM José Ferreira, participou de uma reunião na Casa do Vitor André Müller, funcionário da carteira rural do banco que se suicidou quando foi afastado de suas funções na agência. A Polícia Federal apurou que o coronel retirou irregularmente do Banco do Brasil, para plantar mandioca, Cr$103.392.160. Ontem, o juiz Federal Genival Matias de Oliveira revelou à imprensa detalhes do inquérito, cujas peças compõem 50 volumes (cerca de 15 mil páginas). Os 25 implicados - entre eles o vice-líder do governo Marco Maciel na Assembleia Legislativa, deputado Vital Novaes - começarão a ser ouvidos no próximo dia 25. Todos estão enquadrados em sete artigos do Código Penal Brasileiro".

25/2/1982 - O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival de Oliveira, adia o depoimento que seria prestado hoje pelo fazendeiro Antonio Oliveira da Silva (Antonio Rico) sobre sua participação no Escândalo da Mandioca.

1/3/1982 - Em depoimento prestado perante o juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, o fazendeiro Antonio Oliveira da Silva (o Rico) disse que o Banco do Brasil é o culpado das fraudes do Escândalo da Mandioca, porque seus dirigentes sabiam que o dinheiro não seria aplicado na plantação de mandioca. Rico, que foi indiciado pela Procuradoria Geral da República como chefe de uma quadrilha que se instalou na agência do Banco do Brasil em Floresta, não contestou a acusação de que aplicou em sua fazenda Cr$477 milhões que tomara emprestado do Banco do Brasil como se fosse para plantar mandioca. O juiz Genival Matias de Oliveira concedeu prazo de três dias para que os advogados de Antonio Rico apresentem sua defesa prévia, quando então serão arroladas as testemunhas de acusação e defesa.

3/3/1982 - O procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva, encarregado do inquérito sobre o Escândalo da Mandioca, é assassinado em Olinda, por um desconhecido que lhe disparou três tiros. Trecho de Notícia do Jornal O Globo, do Rio de Janeiro; dia 5/3/1982: “há três semanas, Pedro Jorge de Melo e Silva denunciou 25 pessoas, entre elas o deputado Vital Novaes, vice-líder do PDS na Assembleia Legislativa de Pernambuco, seu irmão Luís Cavalcanti Novaes e o major da PM José Ferreira, como envolvidos no desvio de Cr$1,5 bilhão da agência do Banco do Brasil em Floresta”.

4/3/1982 - Os juízes federais da seção do Rio de Janeiro enviam telegrama ao ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel, pedindo providências para apurar o assassínio do procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva, encarregado do inquérito sobre o Escândalo da Mandioca. O telegrama foi assinado pelos seguintes juízes: Henry Bianor Chalu Barbosa (7ª Vara), José Gregório Marques (7ª Vara), Armindo Guedes da Silva (6ª Vara), Augustinho Fernandes Dias da Silva (5ª Vara), Silvério Luís Néry Cabral (9ª Vara), Ariosto de Resende Rocha (4ª Vara), Tânia de Melo Bastos Heyne (1ª Vara), Alberto Nogueira (1ª Vara) e Mário Mesquita Magalhães, da 9ª Vara.

4/3/1982 - Em Brasília, o procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, disse, segundo o jornal O Globo, Rio de Janeiro, que o assassinato do procurador Pedro Jorge “ameaça o exerc´cio da função e da própria Justiça”, e informa que já pediu ao Departamento de Polícia Federal a designação de um delegado para acompanhar o inquérito sobre o crime. Inocêncio Mártires diz tambem que já outro procurador para o processo sobre o Escândalo da Mandioca.

5/3/1982 - João Batista Vieira Pereira, ferido durante o assassinato do procurador Pedro Jorge e única testemunha do crime, está hospitalizado sob custódia da Polícia Federal em Pernambuco.

6/3/1982 - Segundo o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, o ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel, ao passar por Recife, declarou ter determinado à Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco “o máximo de empenho na identificação e prisão dos responsáveis pelo assassinato do procurador Pedro Jorge de Melo”.

6/3/1982 - O estudante João Batista Vieira Pereira, baleado durante o assassinato do procurador Pedro Jorge e única testemunha do crime, diz não ter condições de identificar os criminosos e a placa do carro em que eles fugiram depois dos disparos.

8/3/1982 - O jornal O Globo, do Rio de Janeiro, informa: "O procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, assinará hoje portaria designando o subprocurador geral Hélio Pinheiro da Silva para representar o Ministério Público no inquérito sobre o assassinato do procurador em Pernambuco, Pedro Jorge de Melo e Silva. Hélio Pinheiro da Silva já se encontra em Recife. Alta fonte do governo de Pernambuco informou que o superintendente da Polícia Federal em Brasília, general Moacir Coelho, recebeu instruções para designar, ainda hoje, um delegado especial para dirigir as investigações. O próximo passo da Procuradoria Geral da República será a indicação de um substituto para Pedro Jorge de Melo e Silva, já que o procurador da Paraíba, Nereu Pereira dos Santos Filho - indicado para o cargo antes do assassinato - pediu para não assumir. Esta providência também será tomada hoje, quando Inocêncio Mártires Coelho pedirá uma sugestão ao procurador-chefe em Pernambuco, Francisco Nóbrega. O procurador indicado dará continuidade ao inquérito sobre o Escândalo da mandioca".

7/3/1982 - O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, decreta a prisão preventiva do ex-contador da agência do Banco do Brasil em Floresta, Eduardo da Costa Wanderley, que é suspeito do assassínio do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva.

8/3/1982 - Eduardo da Costa Wanderley, suspeito de assassinar o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, a preso pela Polícia Federal em Pernambuco.

8/3/1982 - A tabeliã dos cartórios de 1º e 2º Ofícios de Floresta, Ana Maria Barros, e o fazendeiro Ancilon Gomes Filho prestam depoimento perante o juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, sobre sua participação no Escândalo da Mandioca. Ana Maria foi indiciada no processo pelo procurador Pedro Jorge de Melo e Silva “por ter dado colaboração estreita aos demais implicados para execução das fraudes, fornecendo-lhes documentos falsos”; ela é acusada de receber propina pelos documentos falsos. Já o fazendeiro Ancilon Gomes Filho reconheceu, em seu depoimento, ter se beneficiado de financiamentos fraudulentos e confirmou o fornecimento de cartas de anuência a empregados seus para que também eles pudessem fazê-lo. Ancilon acusou o gerente da agência do Banco do Brasil em Floresta, Edmilson Soares Lins, e o chefe do cadastro, Jarbas Salviano Duarte, como os verdadeiros autores das fraudes. O fazendeiro contestou o valor do seu débito que, segundo a Procuradoria, seria de Cr$58 milhões, e afirmou dever pouco mais de Cr$11 milhões.

9/3/1982 - O jornal O Globo, do Rio de Janeiro, informa: “A Polícia Federal em Pernambuco, através da Assessoria de Comunicação Social, informou ontem que quase todo efetivo do órgão em Recife - cerca de 200 agentes - está envolvido nas investigações em torno do Escândalo da Mandioca e do assassínio do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva”.

9/3/1982 - O procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, vem ao Recife onde declara à imprensa que o assassinato do procurador Pedro Jorge abalou muito os seus colegas e levantou “dúvidas sobre as condições de garantia e independência do Ministério Público para exercer sua função constitucional”. O procurador manteve audiência com o governador de Pernambuco, Marco Maciel, a quem solicitou apoio dos órgãos de segurança pública do Estado à Polícia Federal para elucidação do assassinato de Pedro Jorge; informou que ainda não indicou o substituto de Pedro Jorge e disse: “Nosso propósito é esclarecer a verdade dos fatos, fazer Justiça e reafirmar a credibilidade na instituição do Ministério Público”.

9/3/1982 - Procuradores de 16 Estados brasileiros, políticos, delegados, juízes, entre outros, assistem no Recife missa de sétimo dia em memória do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva.

10/3/1982 - A Associação Nacional dos Procuradores da República, através de seu presidente Henrique Fagundes Filho, e do Colégio de Delegado, distribui nota criticando o afastamento de Pedro Jorge de Melo e Silva da condução do inquérito que apura o chamado Escândalo da Mandioca, fato ocorrido um dia antes da morte do procurador e só depois noticiado pela imprensa. O procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, por sua vez, critica a nota da Associação Nacional dos Procuradores, por considerá-la “desnecessária e despropositada”. Ainda no mesmo dia, Dom Basílio Penido, abade do Mosteiro de São Bento, em Olinda, diz que a punição dos assassinos de Pedro Jorge é “necessária para garantir a independência do Judiciário”.

11/3/1982 - O diretor-geral do Departamento de Polícia, coronel Moacir Coelho, indica o diretor da Divisão de Polícia Fazendária do DPF, delegado Aldinor de Oliveira Luz, para acompanhar o inquérito que apura as fraudes na concessão de créditos agrícolas pela agência do Banco do Brasil em Floresta. A informação foi divulgada pela Secretaria de Imprensa do Ministério da Justiça.

11/3/1982 - O abade do Mosteiro de São Bento em Olinda, dom Basílio Penido, disse que a explicação dada pelo procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, para o afastamento de Pedro Jorge de Melo e Silva da condução do inquérito que apura o Escândalo da Mandioca "é verdadeiramente desalentadora para todos os que esperam que seu sacrifício ponha para frente a ação penal". (A explicação do procurador-geral da República para o afastamento de Pedro Jorge, segundo o jornal O Globo, de 11/3/1982, foi esta: “O afastamento de Pedro Jorge foi decorrente de uma suspeição levantada por um policial que não pode ser totalmente esclarecida.” “Foi um ato de rotina”). Dom Penido disse ainda: “E nos perguntamos diante disso se o substituto de Pedro Jorge, de acordo com os critérios expostos pelo senhor procurador-geral, irá de fato levar adiante o processo”.

12/3/1982 - O superintendente do Departamento de Polícia Federal Airton Mendez, confirmou, através de um assessor, a ida do ex-bancário Eduardo Wanderley - único suspeito do assassinato do procurador Pedro Jorge - a João Pessoa e Goiana, duas cidades em que tanto Eduardo Wanderley e o ex-deputado Apolinário Siqueira dizem ter estado no dia do crime.

14/3/1982 - O jornal O Globo, do Rio de Janeiro, publica informação de que o procurador Pedro Jorge, assassinado quando apurava o Escândalo da Mandioca, foi também quem denunciou o “Escândalo da Mão-de-Obra”, descoberto em 1975 e que “envolve fraude e irregularidades em uma Secretaria de Estado de Pernambuco, js extinta, com o use de verbas federais em cursos fantasmas de qualificação profissional”.

15/3/1982 - O superintendente da Polícia Federal em Pernambuco, João Reginaldo Felipe Vilaga, distribuiu nota informando que não serão divulgados, por enquanto, os resultados das investigações em torno do assassinato do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, porque os detalhes e hipóteses “estão sendo convenientemente analisados e investigados”.

15/3/1982 - O fazendeiro e advogado Djair Novaes, um dos indiciados no processo que apura o Escândalo da Mandioca e que teria obtido através de fraude Cr$111,4 milhões, presta depoimento perante o juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, e afirma que foi envolvido no Escândalo porque a agência do Banco do Brasil em Floresta não soube administrar os financiamentos e depois culpou os agricultores, usando-os como “bodes expiatórios”.

15/3/1982 - O ex-contador da agência do Banco do Brasil em Floresta, Eduardo da Costa, preso desde o dia 5 de março na Polícia Federal como suspeito de ter matado o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, a transferido para o presidio Aníbal Bruno, no bairro do Curado, Recife.

15/3/1982 - A Polícia Federal solta o fazendeiro José Maniçoba Sobrinho, que cumpriu pena de prisão administrativa decretada pelo ministro da Fazenda, Ernane Galveas, quando da fase de apuração de responsabilidade no Escândalo da Mandioca. Embora tenha sido preso, Maniçoba não foi citado no inquérito que a Polícia Federal enviou a Procuradoria Geral da República, nem indiciado no processo pelo procurador Pedro Jorge de Melo e Silva.

16/3/1982 - Notícia do jornal O Globo, do Rio de Janeiro: “O deputado estadual Vital Novaes (PDS), um dos principais envolvidos no Escândalo da Mandioca, xingou ontem de ”ladrão e corrupto" o líder da bancada do PMDB, deputado Sérgio Longman, por ter se negado a retificar trechos de um discurso que pronunciara semana passada, protestando contra o assassinato do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva".

17/3/1982 - O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, solicita formalmente a Procuradoria-Geral da República a designação de um novo procurador para funcionar na ação penal do processo do Escândalo da Mandioca, em substituição ao procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, afastado e depois assassinado em Olinda, Pernambuco.

17/3/1982 - Os advogados do ex-contador da agência do Banco do Brasil em Floresta, Eduardo da Costa Wanderley, requerem ao juiz da 1ª Vara Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, o relaxamento de sua prisão, sob a alegação de que ele é inocente.

18/3/1982 - O subprocurador-geral da República Helio Pinheiro da Silva declara a imprensa que dentro de dias será conhecido o nome do mandante do assassinato do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva que, Segundo ele, teve mais de 30 testemunhas.

18/3/1982 - O procurador Hélio Sabóia, primeiro- secretário da Ordem dos Advogados do Brasil, seção do Rio de Janeiro, diz, em sessão solene de repúdio ao assassinato do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, que “o odioso crime pode ser explicado pelo sentimento de impunidade que certamente possuíam os seus verdadeiros autores quando o praticaram ou mandaram praticar”.

19/3/1982 - O deputado estadual Mansueto de Lavor (PMDB) revela à imprensa ter recebido ameaça de morte, através de carta, por ter pedido ao presidente João Figueiredo, em uma entrevista a uma emissora de rádio em Pernambuco, para acabar com a violência no País e se empenhar pessoalmente na apuração do assassinato do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva.

20/3/1982 - O procurador da República na Paraíba, Nereu Pereira dos Santos Filho, diz que até agora nenhum de seus colegas dispôs-se a substituir o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, na condução do processo sobre o Escândalo da Mandioca.

20/3/1982 - Em depoimento perante o juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, o ex-gerente da agência do Banco do Brasil em Floresta, Edmilson Soares Lins, garante que o inspetor Emanuel Gleydhter Bento Lima constatou não haver nenhuma irregularidade nos créditos bancários ali concedidos, após fiscalização realizada em dezembro de 1980.

22/3/1982 - A imprensa informa que o juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, ouvira naquele dia o depoimento do engenheiro agrônomo, topógrafo e ex-agente do Projeto Sertanejo em Floresta Geraldo Cornélio da Silva, denunciado pelo procurador Pedro Jorge de Melo e Silva como um dos 25 principais implicados no Escândalo da Mandioca.

23/3/1982 - O procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, diz desconhecer a existência de um documento assinado por 36 procuradores do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais pedindo seu afastamento do cargo, enquanto que o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Henrique Fagundes Filho, garante que duas representações nesse sentido foram entregues ao ministro Leitão de Abreu. O Gabinete Civil da Presidência da República e o secretário da imprensa do Palácio do Planalto, Carlos Átila, negam o recebimento de qualquer documento contra Inocêncio Coelho.

23/3/1982 - O subprocurador-geral da República, Hélio Pinheiro da Silva, designado para acompanhar as investigações sobre o Escândalo da Mandioca, diz, em Brasília, que não sabe ainda quando viajará para o Recife e afirma não ter receio de um atentado.

23/3/1982 - O líder do PMDB no Senado, Humberto Lucena, faz, da tribuna, um apelo ao procurador-geral da República para que se demita do cargo, pois os procuradores regionais consideram não ter ele mais “condições morais” para permanecer na chefia do Ministério Público.

24/3/1982 - Notícia do jornal O Globo, do Rio de Janeiro; "Os procuradores da República em Minas Gerais confirmaram ontem que no último dia 16, durante reunião de 15 dos 18 procuradores no Estado com o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Henrique Fagundes Filho, assinaram três documentos criticando a atuação do procurador-geral Inocêncio Mártires Coelho.

22/3/1982 - O procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, designa o subprocurador-geral Hélio Pinheiro da Silva para acompanhar as investigações sobre o Escândalo da Mandioca.

22/3/1982 - O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, decide revogar a prisão preventiva do ex-contador da agência do Banco do Brasil, em Floresta, Eduardo da Costa Wanderley, que estava preso desde o dia 5 como suspeito da morte do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva.

24/3/1982 - O procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, diz que considera definitivamente encerrado o episódio dos 38 procuradores do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais que solicitaram sua exoneração.

24/3/1982 - O subprocurador-geral da República Hélio Pinheiro da Silva, ao desembarcar no Recife, desmente ter declarado que a Polícia Federal já saiba quem mandou assassinar o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva. Ele disse que a imprensa desvirtuou suas palavras e, por isso, no dará mais entrevistas sobre o Escândalo da Mandioca.

24/3/1982 - O topógrafo Heronides Cavalcanti Ribeiro, denunciado pelo procurador Pedro Jorge de Melo e Silva como um dos 25 principais implicados no Escândalo da Mandioca, diz que vai requerer ao subprocurador geral da República Hélio Pinheiro da Silva a denúncia do superintendente regional do Banco do Brasil, José Ruiter de Oliveira, no processo, para que ele explique por que o limite de financiamento da agência do banco em Floresta foi ultrapassado em Cr$ 1,3 bilhão. Na entrevista que deu a imprensa, Heronides se disse revoltado com o Banco do Brasil, que “até agora só fez acusar com injúrias e calúnias os habitantes de Floresta”.

25/3/1982 - O Palácio do Planalto confirma, 24 horas após o recebimento, a entrega de um dossiê sobre o assassinato, em Pernambuco, do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, encaminhado pelo presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Henriques Fagundes FiIho.

25/3/1982 - O subprocurador-geral da República Helio Pinheiro da Silva, designado para acompanhar o processo do Escândalo da Mandioca, classifica de “boato” a informação de que o procurador-geral, Inocêncio Mártires Coelho, esteja para ser afastado do cargo.

26/3/1982 - O vice-líder do PDS no Senado, José Lins, acusa o líder do PMDB, senador Humberto Lucena, de fazer o pré-julgamento do procurador-geral da República Inocêncio Mártires Coelho, por voltar a pedir, em plenário, a sua imediata exoneração. Por sua vez, o ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel, diz que o dossiê sobre o assassinato do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, que lhe foi entregue pelo ministro Leitão de Abreu, “não pede, em nenhum momento, a substituição do procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho”.

28/3/1982 - Em entrevista concedida a imprensa, o major PM José Ferreira dos Anjos, um dos 25 indiciados no processo do Escândalo da Mandioca, nega qualquer participado no assassinato do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, que o denunciou, e do qual a tido como suspeito em inquérito do Departamento de Polícia Federal. O major Ferreira disse também não ter culpa no Escândalo da Mandioca, pois pagara o empréstimo que tomou ao Banco do Brasil.

29/3/1982 - Em depoimento perante o juiz da 1ª Vara de Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, o major PM José Ferreira dos Anjos, denunciado no processo do Escândalo da Mandioca, confirmou que a agência do Banco do Brasil em Floresta emprestara dinheiro a seus familiares, mas disse ser inocente e negou, também, ter participado de uma reunião realizada em Arcoverde, sertão de Pernambuco, para planejar um incêndio na agência do BB em Floresta e ter mantido encontro com políticos com o objetivo de abafar o “Escândalo” mediante propinas.

30/3/1982 - Segundo o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, o presidente João Batista Figueiredo garantiu, em resposta a carta que recebera dos pais do procurador assassinado Pedro Jorge de Melo e Silva, que o crime será apurado.

30/3/1982 - O jornal O Globo divulga dual cartas: uma enviada pelos pais do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, José Florentino da Silva e Heloisa de Melo e Silva, ao Presidente da República, João Batista de Figueiredo, e a resposta do presidente. As cartas: "A paz que sempre reinou em nossa família no dia 3/03/1982 foi abalada com a dor provocada pelo brutal assassínio do nosso filho Pedro Jorge de Melo e Silva, até então procurador da República em Recife (PE). No consciente desempenho das suas funções, defendendo os interesses da Nação vide anexos - tombou, deixando esposa e duas filhas, de quatro e três anos, a quem dedicava todo seu carinho e amor. Agora, privados de sua presença e de todo aquele manancial de bondade que a todos os contagiava, pedimos a Vossa Excelência, o grande mandatário do Pais pelo qual nosso filho ofereceu em holocausto a sua vida, que recomende rigorosa apuração do hediondo crime para que a sociedade conheça os verdadeiros culpados e os criminosos recebam a pena que a lei lhes reserva". (José Florentino da Silva e Heloisa de Melo e Silva). A resposta do Presidente:

"Vossa carta de 15 do corrente, escrita ainda sob a profunda emoção causada pelo crime que vitimou seu filho, o ilustre procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva, solicita-me que assegure pronta e rigorosa apuração dos fatos, bem como a punição do autor. Cabe-me informar que, no que diz respeito ao homicídio, sua investigação vem mobilizando os quadros da Polícia Federal em Pernambuco, sob a direção de delegado especialmente investido nesse encargo. Encontra-se ainda em Recife, não só para o efeito de acompanhar tal investigação, mas ainda para assumir a função do Ministério Público na rumorosa ação penal que cuidava vosso filho, o subprocurador-geral da República Hélio Pinheiro da Silva, figura de reconhecida idoneidade para a importante incumbência, sob todos os pontos de vista. Manifesto, pois, minha convicção de que o Governo da República não terá subestimado a gravidade desse infeliz evento, que foi a perda de seu jovem e honrado procurador. Valho-me da oportunidade para exprimir, uma vez mais, o meu profundo pesar, e a firme confiança em que o poder Judiciário, com o apoio do Ministério Público, saberá apurar os fatos e fazer a devida justiça."

30/3/1982 - A Assessoria Jurídica do Banco do Brasil devolve documentos relacionados com o Escândalo da Mandioca que há 26 dias havia retirado da Secretaria da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco sem autorização do juiz Genival Matias de Oliveira.

31/3/1982 - O procurador Haroldo Ferraz da Nóbrega, designado para auxiliar o subprocurador-geral Hélio Pinheiro da Silva na condução do processo do Escândalo da Mandioca, diz que o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva “fez um trabalho exemplar na apuração das fraudes da agência do Banco do Brasil da cidade de Floresta”.

1/4/1982 - O major PM José Ferreira dos Anjos apresenta sua defesa prévia a Justiça Federal, na qual afirma que a agência do Banco do Brasil de Floresta emprestou dinheiro a seu pai e a dois primos, mas não para beneficiá-lo, e sim ao chefe da carteira de crédito agrícola, Vitor André Müller, já falecido, que teria recebido Cr$11 milhões. O advogado do major, Juarez Vieira da Cunha, diz que o dinheiro, depositado inicialmente na conta-corrente do major Ferreira, foi repassado para Vitor Müller, que antes de morrer assinou um documento responsabilizando-se pelo empréstimo.

2/4/1982 - O líder do PMDB no Senado, Humberto Lucena, requer a convocação do ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel, no prazo máximo de 30 dias, para que preste esclarecimentos a Comissão de Constituição e Justiça sobre todos os fatos relacionados com o Escândalo da Mandioca.

5/4/1982 - O vice-líder do PDS na Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Vital Cavalcanti Novaes, diz em depoimento perante o juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, que estranha o fato de o Banco do Brasil funcionar como auxiliar de acusação; no processo sobre o Escândalo da Mandioca - no qual o deputado está envolvido -, pois o banco foi “o grande beneficiário do Proagro, através dos laudos que forneceu” . Novaes disse que foi incluído no processo devido a pressa na apuração dos fatos e por ser “deputado e solidário com o povo de Floresta”.

5/4/1982 - O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, determina a abertura de inquérito para apurar a irregularidade cometida por advogados do Banco do Brasil, que retiraram da secretaria, sem sua autorização, documentos relacionados com o Escândalo da Mandioca.

7/4/1982 - O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, devolve a Polícia Federal o inquérito que apura o assassinato do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, concedendo prazo de mais 30 dias para novas investigações. O inquérito, presidido pelo delegado Humberto Vasconcelos, no aponta os autores nem os mandantes do crime.

7/4/1982 - O procurador da República José Arnaldo Gonsalves de Oliveira diz a imprensa que o inquérito administrativo sobre o Escândalo da Mandioca sera enviado dentro de alguns dias para o Tribunal Federal de Recursos, estando ainda na Polícia Federal.

12/4/1982 - O procurador Haroldo Ferraz da Nóbrega, substituto do subprocurador Hélio Pinheiro da Silva na apuração do Escândalo da Mandioca, pede ao Conselho de Justiça Federal a revogação do relaxamento de prisão preventiva do fazendeiro Antonio Oliveira da Silva, o Antonio Rico, por considerá-lo um dos principais artífices e beneficiários da fraude contra o Banco do Brasil em Floresta.

14/4/1982 - Após prestar depoimento na Polícia Federal sobre a morte do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, o fazendeiro Antonio de Oliveira da Silva ("Antonio Rico") declara à imprensa que o Escândalo da Mandioca - no qual é um dos principais envolvidos - “vai terminar em nada porque a Justiça não tem subsídios para incriminar ninguém”. Ele disse que o caso será encerrado quando os credores do Banco do Brasil saldarem suas dívidas.

14/4/1982 - O topógrafo Heronides Cavalcanti Ribeiro, em depoimento perante o juiz da 14ª Vara de Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, acusa o superintendente regional do Banco do Brasil, José Ruiter de Oliveira, de ter orientado e induzido o ex-gerente Edmilson Soares Lins em ultrapassar em mais de Cr$1 bilhão o limite de financiamento fixado para a agência de Floresta.

15/4/1982 - Relatório realizado com base em explicações fornecidas a dois procuradores da República por dois delegados da Superintendência da Polícia Federal (cujos nomes não foram revelados a imprensa), conclui que o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva foi assassinado por pistoleiros profissionais e diz que, portanto, o crime deve ter mandantes. Mas não revela qualquer nome.

15/4/1982 - A Polícia Federal em Pernambuco não confirmou nem desmentiu informações de que mais de dez pessoas - entre elas o funcionário do Detran Jorge Ferraz - teriam sido presas, nas últimas 48 horas, sob suspeita de envolvimento no assassinato do procurador Pedro Jorge. A assessoria de comunicação do DPF disse apenas que a imprensa deveria aguardar alguma novidade.

15/4/1982 - E aprovado requerimento do líder do PMDB na Câmara Federal, deputado Odacir Klein, solicitando o comparecimento ao plenário da Câmara, em data ainda a ser marcada, do ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel, para prestar esclarecimentos sobre a apuração do Escândalo da Mandioca.

17/4/1982 - O comerciante Pedro Gomes da Silva, preso pela Polícia Federal por ter vendido ao major PM José Ferreira dos Anjos o Chevette que teria sido utilizado na morte do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, e liberado após ser submetido a mais de 30 interrogatórios.

19/4/1982 - Em entrevista coletiva a imprensa, o advogado do major PM José Ferreira dos Anjos, Juarez Vieira da Cunha, diz que a Polícia Federal está tentando “fabricar” um autor material para o assassinato do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, com o objetivo de incriminar o seu cliente.

19/4/1982 - O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, informa ao ministro-corregedor Washington Bolivar de Brito, em Brasília, que revogou a prisão preventiva do fazendeiro Antonio Oliveira da Silva, porque o prazo permitido por lei já havia expirado e um dos acusados, Geraldo Cornelio da Silva, só será interrogado dentro de 90 dias, pois está doente.

20/4/1982 - O comandante da Polícia Militar de Pernambuco, coronel João Lessa, diz que aguarda apenas um pedido da Polícia Federal ou de outro órgão encarregado de investigar a morte do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva para abrir uma sindicância na PM, com o objetivo de apurar se realmente houve uma reunião no quartel, quando teria lido planejado o crime.

20/4/1982 - O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, decide reintegrar o fazendeiro Ancilon Gomes Filho - denunciado no processo do Escândalo da Mandioca - na posse de parte dos seus bens.

22/4/1982 - Notícia publicada pelo O Globo, do Rio de Janeiro; “O superintendente regional do Banco do Brasil, José Ruiter de Oliveira, acusado de envolvimento nas fraudes do `Escândalo da Mandioca’, será condecorado hoje, pelo governador Marco Maciel, com a medalha do Mérito dos Guararapes, no grau de oficial, pelos relevantes serviços prestados ao Estado”.

22/4/1982 - Notícia de O Globo: “O deputado estadual Carlos Caribé (PDS), procurador da República licenciado, fará hoje, às 14h30m, na Assembleia Legislativa do Recife (PE), um pronunciamento desmentindo informações dadas por fonte do Ministério Público, em Brasília, de que tinha conhecimento do plano para executar o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, responsável pela apuração do Escândalo da mandioca”.

22/4/1982 - O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, concede a Polícia Federal mais 30 dias de prazo para concluir o inquérito sobre o assassinato do procurador Pedro Jorge.

23/4/1982 - O advogado Juarez Vieira da Cunha diz que o major da PM José Ferreira dos Anjos, envolvido no Escândalo da Mandioca, sentindo-se injustiçado pela falta de solidariedade da parte de superiores, resolveu revelar a opinião pública, através de entrevista que concederá na próxima semana, todas as missões que lhe foram ordenadas pela PM e que lhe valeram a imagem de “assassino frio e sanguinário”.

23/4/1982 - Em depoimento perante o juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, o ex-prefeito de Floresta, Luiz Cavalcanti Novaes, disse ter procurado, juntamente com seu irmão, deputado Vital Cavalcanti Novaes - ambos denunciados no Escândalo da Mandioca - o deputado Inocêncio Oliveira (PDS), para que conseguisse o afastamento da fiscalização do Governo da agência do Banco do Brasil no município, onde estava sendo apurado o desvio de Cr$1,5 bilhão.

26/4/1982 - O subprocurador-geral da República Hélio Pinheiro da Silva, responsável pelas investigações sobre a morte do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva (que indiciara os envolvidos no Escândalo da Mandioca), diz, em Brasília, após voltar do Recife, que “todas as circunstâncias provam que o major PM José Ferreira dos Anjos foi sem dúvida o mandante do crime”.

27/4/1982 - O ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel, diz em Brasília que “o inquérito sobre o Escândalo da Mandioca não vai torcer seu caminho, nem será paralisado, em razão do possível envolvimento de qualquer pessoa que exerça cargo público”.

28/4/1982 - O governador de Pernambuco, Marco Maciel, atendendo a proposta do comandante-geral da Polícia Militar, coronel João Lessa, determina o afastamento do major PM José Ferreira dos Anjos e do capitão PM Audas Diniz de Carvalho Barros dos cargos que exercem, “ficando os ditos oficiais privados do exercício de qualquer função policial militar, enquanto durar o processo que respondem perante a Justiça Federal”.

29/4/1982 - Notícia do jornal O Globo, do Rio de Janeiro: "A Secretaria de Segurança de Pernambuco divulgou ontem relatório de conclusão do inquérito que enquadra o major PM José Ferreira dos Anjos no artigo 340 do Código Penal (pena de detenção de um a seis meses) por ter provocado o registro da ocorrência de um crime - atropelamento - que não houve. O objetivo do major, ao registrar a ocorrência falsa, era forçar o proprietário do carro, Pedro Gomes da Silva, a pagar-lhe uma dívida de Cr$200 mil. O carro, um Chevette Hatch AF-5159 foi o mesmo usado pelos homens que mataram o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva".

30/4/1982 - O deputado Vital Novaes, vice-líder do PDS, encaminha a mesa diretora da Assembleia proposta no sentido de que o Legislativo de Pernambuco solicite ao ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel, “medidas enérgicas contra a Polícia Federal” por ter divulgado informações falsas envolvendo-o no assassinato do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva.

3/5/1982 - O empresário Moacyr Figueiredo Filho, primo em segundo grau do presidente João Figueiredo, nega, em Brasília, acusação de ter recebido Cr$20 milhões para usar sua influência no sentido de tentar abafar o Escândalo da Mandioca.

3/5/1982 - Por ter registrado uma ocorrência falsa, mas sem ligações com o Escândalo da Mandioca, o major PM José Ferreira dos Anjos é preso, disciplinarmente, através de ato administrativo do comandante da Polícia Militar de Pernambuco, coronel João Lessa.

4/5/1982 - A Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República pedem ao juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, a prisão preventiva do major PM José Ferreira dos Anjos e de outras seis pessoas acusadas de serem os autores materiais e mandantes do assassínio do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva. Os acusados: o motorista Elias Nunes Nogueira, o sargento PM José Lopes de Almeida, o agente de Polícia Euclides Ferraz Filho, o funcionário do Detran Jorge de Souza Ferraz e o topógrafo Heronides Cavalcanti Ribeiro. O sétimo envolvido seria o capitão PM Audas Diniz de Carvalho Barros. Dos sete, apenas o capitão Audas e o topógrafo Heronides não foram presos.

4/5/1982 - O chefe da Procuradoria da República em Pernambuco, Francisco Adalberto Nóbrega, faz declaração ao jornal O Globo negando que tivesse travado uma luta pelo poder para afastar da chefia, com apoio de políticos, o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva.

5/5/1982 - Notícia do jornal O Globo: "O pistoleiro Elias Nunes Nogueira, preso por agentes federais e policiais civis em Juazeiro (BA), na manhã de domingo passado, confessou, anteontem, ter matado o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, a mando do major PM José Ferreira dos Anjos. Ele cobrou Cr$200 mil para cometer o crime mas o major só lhe adiantou Cr$50 mil".

5/5/1982 - O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, diz que vai decidir sobre a decretação ou no das prisões preventivas dos sete acusados do assassínio material e intelectual do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, pedida há dois dias pela Polícia Federal e pela Procuradoria Geral da República.

5/5/1982 - O funcionário público do Detran Jorge Ferraz, em depoimento a Polícia Federal, confirma sua participação no assassínio do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, dirigindo um Passat verde (e acompanhado do topógrafo Heronides Cavalcanti Ribeiro) deu cobertura ao Chevette Hatch que conduziu o matador de Pedro Jorge.

5/5/1982 - Em depoimento prestado à Polícia Federal e que foi anexado ao inquérito remetido ao juiz Genival Matias de Oliveira, o pistoleiro Elias Nunes Nogueira conta detalhes de como matou o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva e afirma que foi contratado para praticar o crime pelo major PM José Ferreira dos Anjos. Diz também que foi o sargento PM José Lopes Almeida quem lhe mostrou o procurador, que ele jamais tinha visto antes.

6/5/1982 - O jornal O Globo, do Rio de Janeiro, pública entrevista com o topógrafo e fazendeiro Heronides Cavalcanti, procurado pela Polícia Federal há 48 horas sob a acusação de ser um dos autores do assassínio do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva. Na entrevista, Heronides diz que “a Polícia Federal matou a tiros de metralhadora”, durante as investigações em Floresta para apurar o Escândalo da Mandioca, um funcionário do IBDF, e maltratou agricultores.

6/5/1982 - A Polícia Federal confirma, no Recife, que o pistoleiro Elias Nunes Nogueira matou o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva com um revólver do major PM José Ferreira dos Anjos.

6/5/1982 - O topógrafo e fazendeiro Heronides Cavalcanti, um dos acusados pela morte do procurador Pedro Jorge, entrega-se a oficiais de Justiça e diz que havia fugido por ter medo de “ser morto pela Polícia Federal”.

7/5/1982 - Família do procurador assassinado em Olinda, Pedro Jorge de Melo e Silva, declara a imprensa sua intenção de processar o procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, por ter afastado Pedro Jorge do processo que apura o Escândalo da Mandioca um dia antes do crime.

8/5/1982 - Em declarações distribuídas à imprensa de Pernambuco, sete testemunhas afirmam que o topógrafo Heronides Cavalcanti Ribeiro estava em Floresta, sertão de Pernambuco, no dia em que o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva fora assassinado em Olinda.

11/5/1982 - A imprensa publica informação de que cinco das seis pessoas que testemunharam, por escrito no dia 8/5, em favor do topógrafo Heronides Cavalcanti Ribeiro - afirmando que ele estava em Floresta no dia em que foi assassinado o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva - também estão indiciadas no processo do Escândalo da Mandioca.

14/5/1982 - O motorista Elias Nunes Nogueira, apresentado pela Polícia Federal como o autor dos disparos que mataram o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, nega a seu advogado, Clávio Valença, que tivesse praticado o crime. Disse que só confessou, na Polícia Federal, depois de ser espancado e sofrer ameaças.

15/5/1982 - O advogado do major PM José Ferreira dos Anjos, Juarez Vieira da Cunha, diz, em entrevista a TV Globo, que recebeu um telefonema anônimo alertando-o para o possível assassínio do pistoleiro Elias Nunes Nogueira, preso pela Polícia Federal no Recife, como um dos autores da morte do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva.

17/5/1982 - O subprocurador-geral da República, Hélio Pinheiro da Silva, afuma que todos os presos acusados de envolvimento na morte do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva foram bem tratados, desmentindo, assim, declaração de Elias Nunes da Silva, feitas ao seu advogado Clávio Valença dia. 14, de que só confessara o crime depois de ser espancado.

18/5/1982 - O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, determina que o pistoleiro Elias Nunes Nogueira, preso na Polícia Federal desde o dia 2, como autor material da morte do procurador Pedro Jorge, seja transferido para a penitenciária agrícola de Itamaracá, a 40 quilômetros do Recife.

19/5/1982 - O pistoleiro Elias Nunes Nogueira a transferido para Brasília onde ficara sob custódia da Polícia Federal, por correr risco de Vida no Recife. A informação a dada pelo juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira.

19/5/1982 - A 7ª Junta de Conciliação e Julgamento do Recife condena por unanimidade o Banco do Brasil a indenizar o ex-bancário Ivanilson Batista dos Santos, demitido por justa causa juntamente com outros funcionários da agência de Floresta envolvidos no Escândalo da Mandioca.

21/5/1982 - Polícia Federal divulga o relatório do inquérito sobre a morte do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, que aponta o major PM José Ferreira dos Anjos como autor intelectual do crime e o pistoleiro Elias Nunes Nogueira como autor material. Assinado pelo delegado Humberto Vasconcelos, presidente do inquérito, o relatório de 62 laudas diz que o major Ferrreira pagou 200 mil cruzeiros ao pistoleiro para cometer o crime, orientando-o para que atirasse na cabeça do procurador, de preferência com uma espingarda calibre 12. O assassínio foi planejado nas proximidades da casa do fazendeiro Irineu Ferraz, no interior do carro do major. Também estão indiciados o topógrafo Heronides Cavalcanti Ribeiro, o fazendeiro Irineu Gregorio Ferraz, o agente de polícia Euclides de Souza Filho, o funcionário do Detran Jorge Batista Ferraz e o sargento PM José Lopes de Almeida. O relatório da Polícia Federal detalha todas as etapas do crime.

24/5/1982 - O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, recebe do procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, a denúncia contra os sete acusados da morte do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva e marca as audiências de interrogatório. O primeiro a ser ouvido sera o major PM José Ferreira dos Anjos. A denúncia é fundamentada no inquérito apresentado pela Polícia Federal.

25/5/1982 - O ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel, recebe em audiência que durou vinte minutos o fazendeiro pernambucano Antonio Oliveira da Silva, o "Antonio Rico", um dos principais acusados no Escândalo da Mandioca. Antonio entrega ao ministro relatório de cinco páginas e 40 fotografias mostrando os melhoramentos que realizou em sua fazenda com os Cr$240 milhões que recebera do Banco do Brasil para plantar mandioca.

26/5/1982 - Desconhecidos telefonam para a casa e escritório do juiz Genival Matias de Oliveira, da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, ameaçando-o caso não abandone os processos contra os envolvidos no Escândalo da Mandioca e assassínio do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva.

26/5/1982 - O advogado Antonio Evaristo de Morais Filho entrega ao Supremo Tribunal Federal notificação contra o procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, pedindo que ele explique, no prazo de 48 horas, se acusou, em entrevista, o falecido procurador Pedro Jorge de Melo e Silva de ter agido com “falta de isenção e parcialidade” na condução do inquérito do Escândalo da Mandioca.

27/5/1982 - Em depoimento perante o juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, o pistoleiro Elias Nunes Nogueira nega ter assassinado o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, como ele havia confessado antes. Agora, ele diz que só confessou o crime à Polícia Federal porque foi torturado.

27/5/1982 - O major PM José Ferreira dos Anjos, que está sendo processado como mandante da morte do procurador Pedro Jorge, acusa, perante o juiz da 14 Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, o subprocurador-geral da República, Hélio Pinheiro da Silva, de ter participado de torturas a outros acusados no crime, no Departamento de Polícia Federal, no Recife. A audiência foi tumultuada e o major Ferreira disse que todas as pegas do inquérito policial relacionadas com ele e os outros acusados “são falsas”.

27/5/1982 - O ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel, diz em depoimento de três horas e vinte minutos na Câmara dos Deputados sobre o Escândalo da Mandioca, que recebeu em seu gabinete, no dia 25, o fazendeiro Antonio Oliveira da Silva (um dos envolvidos no escândalo) em face de ele ter enviado ao presidente da República uma carta, alegando possuir documentos de fundamental importância para o conhecimento dos fatos relacionados com a fraude de Cr$1,5 bilhão contra a agência do Banco do Brasil em Floresta. O ministro disse que, a principio, o fazendeiro Antonio Oliveira da Silva só pretendia entregar tal documentação ao presidente João Figueiredo e “foi para isentar o presidente dessa tarefa que recebi o acusado”. Ibrahim Abi-Ackel na"o fez referencia ao teor dos documentos sobre o Escândalo da Mandioca que lhe foram entregues pelo fazendeiro e informou que eles foram encaminhados a Consultoria Geral do Ministério da Justiça que os esta examinando.

27/5/1982 - Em depoimento a imprensa, o subprocurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, nega ter acusado o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva de “falta de isenção e parcialidade” na condução do inquérito sobre o Escândalo da Mandioca. Ele disse que tudo no passou de uma reportagem equivocada publicada pelo Jornal do Brasil.

28/5/1982 - O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, ouve mais três acusados da morte do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva: o topógrafo Heronides Cavalcanti Ribeiro (apontado como o autor do disparo que atingiu na perna o estudante João Batista Pereira Viana, que passava pelo local na hora do crime), o agente de polícia civil Euclides de Souza Ferraz e o fazendeiro Irineu Gregório Ferraz. Todos negaram as acusações. O fazendeiro Irineu disse que a Polícia Federal forjou provas contra ele. O topógrafo Heronides afirmou que as pessoas que o acusaram confessaram sob tortura, pois ele também foi coagido e ameaçado de tortura na Polícia Federal. O agente da polícia Euclides atribui as denúncias contra ele ao fato de ser amigo do major PM José Ferreira dos Anjos, que viu pela última vez em novembro ou dezembro de 1981 na casa de Irineu Ferraz, em Serra Talhada. No seu depoimento prestado dois dias antes, o major Ferreira (acusado como mandante do crime) afirmou que não vê Irineu Ferraz desde 1975.

Ele disse que passava pelo local do crime de bicicleta.

1/6/1982 - O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, decide tornar sem efeito o recebimento da denúncia do falecido procurador Pedro Jorge de Melo e Silva contra os 25 implicados no Escândalo da Mandioca, sob alegação de que os prazos do processo não foram legalmente cumpridos.

1/6/1982 - O procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, designa o procurador Raimundo Francisco Ribeiro de Bonnis para realizar sindicância sobre um telefonema dado a cobrar, em 3 de março, dia do assassinato do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, de Serra Talhada para a Procuradoria Geral da República no Recife. A conta telefônica da Procuradoria registra uma ligação, a pagar, do número 386 de Serra Talhada e, segundo o chefe da Procuradoria da República em Pernambuco, Francisco Adalberto Nóbrega, o telefone pertence ao diretor da Secretaria, Marcílio Cavalcanti.

2/6/1982 - O jornal O Globo, do Rio de Janeiro, publica notícia com o seguinte trecho: "(...) fonte do Ministério Público disse que é evidente que há um vínculo estreito entre a ligação (o telefonema dado de Serra Talhada para a Procuradoria da República no Recife) e a morte de Pedro Jorge.(...)".

3/6/1982 - O procurador Haroldo Nóbrega interpõe recurso em sentido estrito na 1ª Vara da Justiça Federal de Pernambuco, solicitando a revogação da decisão (dia 1) do juiz Genival Matias de Oliveira de tornar sem efeito a denúncia feita pelo falecido procurador Pedro Jorge de Melo e Silva contra os 25 implicados no Escândalo da Mandioca.

16/6/1982 - O comerciário Willames José Costa da Silva diz, perante o juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Olindo Herculano de Menezes, que viu o pistoleiro Elias Nunes Nogueira fugir depois de matar o

17/6/1982 - O delegado da Polícia Federal Moises de Lima e Silva afirma em depoimento ao juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Olindo Herculano de Menezes, que as balas apreendidas na casa do major PM José Ferreira dos Anjos são semelhantes as encontradas no corpo do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva.

18/6/1982 - O juiz da 1ª Justiça Federal de Pernambuco, Olindo Herculano de Menezes, ouve as duas últimas testemunhas de acusação, das oito arroladas na denúncia do procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, contra os implicados no assassínio do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva. Foram interrogados o menor F.R.O. e o funcionário do Detran Nestor Paulo Vieira Bezerra. O menor disse no ter dúvidas de que foi Elias Nunes Nogueira quem matou o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva. O funcionário do Detran explicou como foi feito o registro da placa da camionete Ford F-1000 do topógrafo Heronides Cavalcanti Ribeiro no dia do crime.

21/6/1982 - O major PM José Ferreira dos Anjos (acusado como mandante do crime) interpela judicialmente o delegado José Edson Barbosa para que ele confirme sua presença na Delegacia de Homicídios do Recife por ocasião do assassínio do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, ocorrido a 3 de margo de Olinda.

28/6/1982 - O procurador da República Raimundo Francisco Ribeiro de Bonnis, encarregado pelo procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, de investigar o telefonema que teria sido dado de Serra Talhada, no interior de Pernambuco, para a sede da Procuradoria Geral da República no Recife a 3 de março, dia em que foi assassinado o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, diz que “tudo não passou de uma grande coincidência”. O procurador Raimundo de Bonnis explicou que a Telecomunicações de Pernambuco informou que, realmente, houve uma chamada do telefone 386, de Serra Talhada, onde fora tramado o assassinato do procurador Pedro Jorge, para o telefone 224-0822, da Procuradoria Geral da República em Pernambuco. Essa chamada, segundo o procurador Raimundo Bonnis, foi realizada no dia 3 de março no período de 17h45m às 18h05m, solicitada para um telefone instalado na capital, mas “por um engano no preenchimento do bilhete interurbano, cometido pela funcionária encarregada da tarifação na cidade de Arcoverde, o telefonema foi incorretamente debitado na conta do telefone da Procuradoria da República”.

16/8/1982 - O Comando da Polícia Militar de Pernambuco informa, através de sua assessoria jurídica, que o sargento José Lopes de Almeida, acusado de participar do assassínio do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva no dia 3 de março passado, participou de uma reunião de serviço das 17 horas às 18 horas daquele dia para tratar da segurança do presidente da República que visitou Pernambuco nos dias 4 e 5.

22/8/1982 - Notícia de O Globo: “O procurador da República Aristides Junqueira Alvarenga requereu sexta-feira ao juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, que ele se declare incompetente para presidir o processo do Escândalo da mandioca, denunciado pelo falecido procurador Pedro Jorge de Melo e Silva.” Segundo O Globo, o procurador alegou, em seu requerimento, que o processo deve ser desaforado para o Tribunal Federal de Recursos, em Brasília, porque entre os 25 envolvidos encontra-se o vice-líder do Governo do Estado na Assembleia Legislativa, deputado Vital Novaes.

26/8/1982 - O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, rejeita pedido do procurador da República Aristides Junqueira Alvarenga para que se declare incompetente para presidir o processo do Escândalo da Mandioca.

10/9/1982 - O procurador da República, Aristides Junqueira Alvarenga, pede a Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco a abertura de inquérito contra quatro oficiais da Polícia Militar por crime de falsidade ideológica em declarações prestadas para confirmar álibi do major PM José Ferreira dos Anjos no processo sobre a morte do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva. Os capitães PM Manoel Aristófanes Cavalcanti de Carvalho, Adalberto Lins Soares, Mário de Oliveira Costa e Ernesto Souza de Araújo, denunciados pelo procurador Junqueira, declararam em papel timbrado da PM que no dia 3 de março deste ano, quando foi morto Pedro Jorge, o Chevette Hatch do major Ferreira permaneceu no estacionamento do quartel da corporação.

16/9/1982 - Os oficiais da Polícia Militar de Pernambuco Manoel Aristófanes Cavalcanti de Carvalho, Alberto Lins Sales e Ernesto Souza de Araújo revelam na Polícia Federal que o major PM José Ferreira dos Anjos, principal acusado como mandante da morte do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, um dia após o assassinato pediu-lhes que assinassem declarações de que viram seu Chevette Hatch no estacionamento do quartel.

20/9/1982 - O advogado Juarez da Cunha, ao apresentar à 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco as alegações finais da defesa do major PM José Ferreira dos Anjos e de mais seis acusados do assassínio do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, promete processar o subprocurador da República, Hélio Pinheiro da Silva, por coação no curso do processo.

6/10/1982 - O juiz da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, Genival Matias de Oliveira, informa sua decisão de não mandar a júri e libertar o major PM José Ferreira dos Anjos e outros seis acusados do assassínio do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva. Na opinião do juiz, não há indícios de que o major Ferreira seja o autor intelectual do crime nem de que Elias Nunes Nogueira tenha sido o autor dos disparos que mataram o procurador. Segundo o juiz, a acusação baseia-se no inquérito que foi forjado com base em confissões arrancadas sob tortura. Todos os acusados da morte do procurador Pedro Jorge, o major PM José Ferreira dos Anjos, sargento PM José Lopes, o fazendeiro Irineu Gregório Ferraz, o topógrafo Heronides Cavalcanti Ribeiro, o funcionário do Detran Jorge Batista Ferraz, o agente de Polícia Euclides de Souza Ferraz e o motorista Elias Nunes Nogueira, foram libertados da prisão.

6/10/1982 - O procurador da República Aristides Junqueira Alvarenga viaja de Brasília para o Recife a fim de ingressar com ação junto ao Tribunal Federal de Recursos contra a decisão do juiz Federal Genival Matias de Oliveira, da 1ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, que impronunciou e libertou os acusados pela morte do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva. Alvarenga diz que existem indícios mais do que suficientes para o juri condenar os acusados.

7/10/1982 - A viúva do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva, Maria da Graça Melo, fala à Imprensa pela primeira vez depois do assassinato do seu marido, e diz que a decisão do juiz Genival Matias de Oliveira em impronunciar e libertar os acusados do assassínio lhe provocou medo e insegurança, É a seguinte a declaração da viúva: "Até então eu ainda não havia me pronunciado publicamente, mas desta vez no aguento mais calar. Apenas dois tipos de reação tive: insegurança, muita insegurança, e medo. Ver o sangue tão caro de Pedro Jorge correr por uma causa nobre e ter este final como resultado. Agora fica aqui minha pergunta, como esposa, mãe e mulher: Em que base podemos nos apoiar para orientar nossos filhos? Onde estão a honradez, a dignidade, a verdade e todos os valores? E o respeito a pessoa humana? Para mim já basta. Para este mundo nada mais resta, apenas em mim a esperança de uma Justiça maior, a divina".

8/10/1982 - Todos os grandes jornais da imprensa brasileira, como O Globo, O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil etc., condenam através de seus editoriais a impronúncia dos sete acusados pelo assassinato do procurador Pedro Jorge de Melo e Silva e, no Recife, a realizada uma passeata de protesto contra a decisão do juiz Genival Matias de Oliveira. Um dos participantes dessa passeata, o arcebispo de Olinda e Recife Dom Helder Câmara, ao ser entrevistado por um repórter da TV Globo, disse ter decidido apoiar o movimento por ser “um amante da Justiça”.

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