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Pará

Direitos do Cidadão
16 de Abril de 2024 às 12h5

MPF e MPPA compartilham informações com relatoria da ONU para pessoas defensoras de direitos humanos

Membros do MP destacaram rotinas de atuação, falhas do programa de proteção e nota técnica sobre mercado de carbono

Na imagem, há sete pessoas posando para uma foto em frente a um banner com as inscrições "MPF - Ministério Público Federal" e "Procuradoria da República no Pará". O grupo é diversificado, com quatro homens e três mulheres, em sala de reunião do MPF em Santarém. As pessoas estão vestidas formalmente.

Foto: Comunicação MPF

Integrantes do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) reuniram-se com a relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a situação de pessoas defensoras de direitos humanos, Mary Lawlor, para compartilhar informações úteis para a relatoria. A reunião foi realizada no último sábado (13), na sede do MPF em Santarém (PA).

A relatora está em missão no Brasil entre os dias 8 e 19 de abril. Durante a visita, analisa o contexto das pessoas defensoras de direitos humanos no país e as políticas públicas para que possam realizar seu trabalho livremente e sem medo.

O MPF e o MPPA pontuaram como o Ministério Público age na proteção das pessoas defensoras de direitos humanos, atuando:

  • nas causas dos problemas, como a demora na demarcação das terras indígenas e quilombolas;
  • em questões emergenciais, como em casos de ameaças ou violências aos defensores e defensoras de direitos humanos;
  • na própria estrutura do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH), buscando a correção de falhas. 

Documentações entregues – Além de registrar como ocorre a atuação do Ministério Público, os membros do MPF e do MPPA apontaram falhas estruturais do PPDDH e entregaram à relatora da ONU documentação sobre o tema e sobre a necessidade de evitar a violação massiva de dos povos e comunidades tradicionais no contexto do mercado voluntário de carbono.

As documentações entregues foram as seguintes: 

  • recomendação expedida pelo MPF no ano passado para garantir a segurança dos defensores e defensoras dos direitos humanos no Pará. O documento foi enviado a autoridades do Poder Executivo estadual e destaca a urgência de medidas para que o programa proporcione uma proteção efetiva, com melhor gerenciamento financeiro e administrativo, ampliação e interiorização da rede de atendimento, melhor atenção psicológica, comunicação mais ampla, estabelecimento de protocolos de atuação e prévia capacitação para os agentes policiais que atuarão no programa. Atualmente o MPF acompanha a implementação das medidas recomendadas;
  • nota técnica elaborada pelo MPF e pelo MPPA em 2023 para a proteção dos direitos dos povos e comunidades tradicionais no contexto do mercado voluntário de carbono. A nota alerta para a necessidade de garantia do direito à consulta livre, prévia e informada. Também é registrado que os contratos de créditos de carbono devem ter necessária intervenção estatal e se eximir de atos de grilagem de terras e que as empresas certificadoras ou beneficiárias de crédito de carbono devem criar auditorias que comprovem a garantia de direitos humanos das populações locais e devem ser criadas ouvidorias externas para o encaminhamento de denúncias. Entre outras recomendações, também é frisado que a repartição de benefícios deve obrigatoriamente ser feita a partir do respeito e autonomia dos povos e comunidades tradicionais.

Sobre a relatoria – Criada em 2000, a Relatoria Especial da ONU sobre a Situação de Pessoas Defensoras de Direitos Humanos apoia países na busca por estratégias cada vez mais efetivas e participativas para garantir a segurança das pessoas defensoras, inclusive por meio da troca de experiências e boas práticas para enfrentar esse e outros desafios globais que se beneficiam da atuação das pessoas defensoras de direitos humanos.

Na visita ao Brasil, feita a convite do governo brasileiro, Mary Lawlor tem se reunido com autoridades, pessoas defensoras de direitos humanos, incluindo integrantes da sociedade civil, de organizações de base, povos indígenas, comunidades quilombolas, advogadas/os e jornalistas.

Além do Pará, a missão inclui visitas aos estados da Bahia, São Paulo e Mato Grosso do Sul e a Brasília, no Distrito Federal.

Com informações das Nações Unidas no Brasil

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