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Direitos do Cidadão

MPF aciona vereador de Joinville e analista por vídeo que discrimina população do Morro do Mocotó em Florianópolis (SC)

Envolvidos descumpriram acordo para retirar conteúdo das redes sociais e usaram retratação para reiterar preconceitos e debochar do MPF

Data: 20/07/2026 • 17:49 Unidade: Procuradoria da República em Santa Catarina
foto mostra uma rua do Morro do Mocotó em ladeira com carros estacionados ao longo do meio fio dos dois lados da rua, construções em cada lado da rua e pessoas andando

Rua do Morro do Mocotó/Foto: Reprodução/Cotidiano_UFSC

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública, com pedido de tutela de urgência, contra um vereador de Joinville e um analista de marketing por descumprimento de acordo para retirar das redes sociais vídeo que discrimina a população do Morro do Mocotó, em Florianópolis (SC). Em junho, ao firmarem Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPF, os réus se comprometeram a publicar nota de esclarecimento sobre as falas ofensivas à comunidade, composta majoritariamente por pessoas negras, muitas delas em situação de vulnerabilidade socioenconômica.

No entanto, em vez de cumprirem o acordado, os envolvidos publicaram um novo vídeo utilizando tom de deboche, escárnio e com a inserção de falas e imagens que voltaram a ofender minorias e o próprio MPF.

O caso teve início em janeiro de 2026, quando o MPF abriu inquérito civil para apurar a publicação de um vídeo gravado pela dupla em frente ao Morro do Mocotó, em Florianópolis, com ofensas à comunidade. Após negociações assistidas por advogados, os dois assinaram voluntariamente os TACs para encerrar a processo de forma extrajudicial.

O acordo previa a remoção do conteúdo ofensivo, a veiculação de uma nota informativa estritamente jurídica, com conteúdo previamente definido, e a realização de curso de direitos humanos pela Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU).

No entanto, no dia 3 de julho de 2026, o Instituto Movimento Humaniza SC denunciou ao MPF que os réus publicaram um novo conteúdo subvertendo totalmente a finalidade reparatória do acordo. Embora tenham se comprometido formalmente, os envolvidos gravaram nova mídia em tom sarcástico e reforçaram os mesmos estigmas e preconceitos anteriores, gerando uma onda de comentários de seguidores que celebraram a “afronta” à Justiça brasileira.

Pedidos Judiciais e Multa – Diante da evidente má-fé e do descumprimento das obrigações assumidas nos TACs, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão requereu à Justiça Federal a condenação dos réus por danos morais coletivos. A ação requer o pagamento de indenização pelos danos causados à coletividade, à comunidade tradicional e negra do Morro do Mocotó, aos migrantes e às pessoas em situação de rua.

A ação também requer que os réus retirem imediatamente os vídeos com deboche do ar e não realizem novas postagens de conteúdos preconceituosos, discriminatórios e ofensivos ou que contenham ofensas e ataques à atuação do MPF, em especial aqueles objeto dos acordos por eles espontaneamente firmados.

Em caso de descumprimento, o MPF requer a aplicação de multa diária e, se necessário, bloqueio de perfis nas redes sociais, com a notificação da empresa Meta Platforms, Inc. no Brasil para que proceda à exclusão dos links indicados, sob pena de responsabilização solidária.

Paralelamente à ação, o MPF move uma ação de execução de título extrajudicial, cobrando a multa estipulada no TAC, em virtude do descumprimento dos ajustes, fixada no teto máximo de R$ 50 mil para cada um dos envolvidos.


Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal em SC
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