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Criminal
13 de Março de 2019 às 7h50

MPF, PF e MPT deflagram Operação Cinderela, contra o tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho escravo

Vítimas eram jovens transexuais trazidas a Ribeirão Preto para se prostituir sob a promessa de conseguirem cirurgias de transformação corporal

Procurador da República André Menezes participa de entrevista coletiva sobre a Operação Cinderela na manhã desta quarta-feira em Ribeirão Preto (foto: Marcelo Oliveira/ Ascom PR/SP)

Procurador da República André Menezes participa de entrevista coletiva sobre a Operação Cinderela na manhã desta quarta-feira em Ribeirão Preto (foto: Marcelo Oliveira/ Ascom PR/SP)

Foi deflagrada nesta quarta-feira (13) a Operação Cinderela - um trabalho conjunto do Ministério Público Federal, Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho e da Secretário de Inspeção do Trabalho do Ministério da Economia. A 5ª Vara Federal de Ribeirão Preto determinou a prisão preventiva de 10 pessoas e o cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão, todos na cidade de Ribeirão Preto (SP).

A investigação teve início a partir da denúncia de duas vítimas que conseguiram fugir dos locais onde eram exploradas. De acordo com o apurado, jovens transexuais eram trazidas de outros estados, principalmente do Norte e Nordeste, para se prostituírem em Ribeirão Preto, com a promessa de transformação do corpo, hospedagem e alimentação.

As vítimas chegavam já endividadas, em razão das passagens e despesas de viagem adiantadas pelos investigados, e aqui eram obrigadas a consumir drogas, exploradas sexualmente e empregadas no mercado do sexo, onde havia uma divisão territorial de atuação de cada aliciador.

Criada a condição de dependência econômica e ascendência sobre as vítimas, os aliciadores davam início à transformação corporal daquelas, com a aplicação de silicone industrial e realização de procedimentos cirúrgicos ilegais, de modo a aumentar ainda mais a dívida das vítimas.

Aquelas que não conseguiam pagar as dívidas ou que desrespeitavam as regras da “casa” eram julgadas em um “tribunal do crime” e punidas com castigos físicos, morais e multas pecuniárias, além de terem os seus pertences subtraídos. Há registros de suicídios em virtude das pressões sofridas pelas vítimas, desaparecimentos, aplicações de castigos físicos com pedaços de madeira com pregos e homicídios, tudo decorrente da cobrança de dívidas.

Um dos investigados cuja prisão preventiva foi determinada pela Justiça Federal já estava preso em razão de outro processo criminal e é investigado sobre dois homicídios e o desaparecimento de três transexuais, uma delas adolescente. Os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de tráfico de pessoas, redução à condição análoga à de escravo, rufianismo e organização criminosa.

Até as 13h, seis das dez pessoas cuja prisão preventiva foi decretada haviam sido capturadas. Nos locais onde ocorreu busca e apreensão foram localizadas 38 transexuais que estavam sendo exploradas sexualmente em condições análogas às de escravas. 

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