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Santa Catarina

Geral
19 de Maio de 2020 às 19h30

Covid-19: em debate, epidemiologista garante que pesquisa realizada em 133 municípios brasileiros terá resultados esta semana

Coordenador de pesquisa que mostra evolução do coronavírus no país participou de videoconferência com procuradores da República da região Sul do país

Arte com fundo amarelo escuro. Na parte central uma tarja branca onde está escrito coronavírus COVID-19

Arte: MPF/SC

Em videoconferência promovida nesta terça-feira (19) pelas unidades do Ministério Público Federal na região Sul do país, o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), disse que já estão praticamente solucionados todos os problemas que envolveram pesquisadores do projeto, no último final de semana, que coleta dados sobre a difusão do coronavírus no país. Em algumas localidades, houve truculência policial contra os pesquisadores. Os dados estão sendo coletados em 133 municípios brasileiros. Hallal garantiu que a primeira fase do levantamento, que mostrará dados inéditos sobre o avanço da covid-19 no Brasil, se estenderá até esta quinta-feira (21), quando serão apresentados os resultados.

A pesquisa, relatou Pedro Hallal, que é doutor em epidemiologia, foi recebida de três diferentes maneiras nos municípios onde está sendo realizada. Segundo ele, o projeto Epicovid19, que é chancelado pelo Ministério da Saúde, foi bem recebido em cerca de 80 localidades. Em um outro grupo, de cerca de 30 localidades, foram observadas barreiras por parte da população, mas que acabaram sendo resolvidas. O terceiro grupo, disse, foi dos municípios que trataram as equipes da pesquisa com truculência, com uso de força policial, como mostrou reportagem do “Fantástico”, da Rede Globo, no domingo (17). “A falha de comunicação não pode servir de argumento para justificar a truculência”, disse.

Apesar dos contratempos, o pesquisador garantiu que, cumprindo o prazo, até esta quinta-feira (21), a primeira fase do levantamento de dados estará concluída e começará a revelar a realidade do novo coronavírus no Brasil. A pesquisa Epicovid-19, desenvolvida pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da UFPel com apoio do Ministério da Saúde, formará um banco de dados com acesso aberto ao público. Hallal avaliou que a situação do Brasil na pandemia é bem melhor que a dos países europeus, mas pior que a dos países da Ásia, e que o Sistema Único de Saúde (SUS) tem “dado conta do recado”, com respostas adequadas à pandemia.

Durante a videoconferência o epidemiologista disse que o país aderiu ao isolamento social no momento certo. “O Brasil tem mais acertado do que errado no combate ao coronavírus”, afirmou. Um dos diferenciais para o combate ao vírus que o país tem é o SUS, que por ser universal e gratuito em muito se difere de sistemas de saúde restritos ou menores, como é na maioria dos países. No entanto, observou que falta uma política de testagem efetiva da população e que existe a possibilidade de um efeito rebote porque em algumas regiões as autoridades permitiram o fim do isolamento social e a retomada de atividades. Para Pedro Hallal, “no caso da covid-19, a doença começa nas populações mais ricas do Brasil e, no final, onde vai trazer maior dano, é nas populações mais vulneráveis”.

Foram debatidas possíveis ações que o MPF pode tomar para contribuir para a manutenção de uma curva decrescente de contaminação dos brasileiros. Os procuradores da República que representaram o MPF no debate defenderam a ação efetiva do Poder Público em defesa da população. Isso tanto em curto prazo, com relação à pandemia, quanto em longo prazo, como foi lembrado pelo procurador da República em Santa Catarina Fabio de Oliveira, que destacou o trabalho realizado anteriormente ao surgimento do novo coronavírus, como a contratação de profissionais para as vagas deixadas pelo programa Mais Médicos - que não tinham sido preenchidas pelo Ministério da Saúde até a urgência deste momento de pandemia.

Participaram do debate com o mestre e doutor Pedro Hallal, reitor da UFPel e coordenador do projeto Epicovid19, os membros do MPF com atuação na área dos Direitos do Cidadão: Paulo Gilberto Cogo Leivas (Naop/PRDC/4ª Região), Fabio de Oliveira (membro focalizador do Gabinete Integrado de Acompanhamento da Epidemia Covid-19 - Giac-Covid-19 em Santa Catarina), Enrico Rodrigues de Freitas (procurador regional dos Direitos do Cidadão no Rio Grande do Sul) e Darlan Airton Dias, procurador-chefe do MPF em SC. A conversa foi mediada pela jornalista Ângela Bastos, do grupo NSC Comunicações.

A videoconferência, de pouco mais de três horas, foi promovida pelas Coordenadorias de Gestão de Pessoas do MPF em SC e da Procuradoria Regional do MPF na 4ª Região (PRR4), com o tema “Impactos da covid-19 no sul do país - Atuação do MPF”.

Veja aqui a gravação do debate no canal do YouTube do MPF

Covid debate

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