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Combate à Corrupção
14 de Dezembro de 2018 às 11h20

MPF coordena operação contra desvios de R$ 50 milhões do Fundeb

Operação com a Polícia Federal, CGU e o MPRR cumpre 10 mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão em Boa Vista (RR)

Foto dos procuradores e de policiais federais em entrevista coletiva

Érico Gomes: "É estarrecedor ver o que acontece no Estado de Roraima com relação ao desvio de recursos públicos". Foto: Ascom/MPF/RR

O Ministério Público Federal (MPF), o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU), o MP do Estado de Roraima (MPRR) e a Polícia Federal (PF) deflagraram nesta sexta-feira (14) a Operação “Zaragata”, com o objetivo de desarticular organização criminosa que desviou cerca de R$ 50 milhões do Fundeb. Foram cumpridos dez mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão no município de Boa Vista (RR). Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara da Justiça Federal de Roraima.

“É estarrecedor ver o que ocorre no estado de Roraima com relação ao desvio de recursos públicos. A Operação Zaragata é resultado de uma atuação conjunta dos órgãos, iniciada no MPF em parceria com a CGU. Em um segundo momento, requisitamos à PF a abertura do inquérito policial e que fosse dada celeridade às apurações, afinal é um tema prioritário para o Estado. Com as investigações comprovamos que havia um simulacro de execução dos serviços de transporte escolar, com rotas que não existem. A investigação prossegue e novas pessoas podem ser investigadas”, destacou o procurador da República Érico Gomes de Souza, em coletiva concedida na manhã desta sexta-feira (14), na sede da Polícia Federal.

As investigações foram iniciadas em agosto deste ano, com o objetivo de apurar supostas irregularidades cometidas em contratação do governo do Estado. A organização atuava na Secretaria Estadual de Educação e Desporto (Seed). Por meio de denúncias e interceptações telefônicas surgiram fortes indícios de contratação fraudulenta do serviço de transporte escolar para atender aos municípios de Roraima. Nos áudios fica claro o envolvimento de agentes públicos e políticos na prática dos crimes de desvio de recursos públicos, corrupção de servidores estatais e lavagem de dinheiro.

Constatou-se a existência de vários esquemas envolvendo o transporte escolar do estado, como a cobrança de propina de empresas responsáveis pelo transporte, que eram obrigadas a pagar valores entre 10% e 15% das faturas para conseguir receber o pagamento devido pelo governo. A organização criminosa também falsificava documentos de prestação de serviços que não eram, de fato, realizados, bem como também fraudava procedimentos licitatórios.

Em alguns casos, certa empresa era contratada para fazer rotas de transporte já prestadas por outra empresa. Ou ainda, uma mesma empresa era contratada várias vezes para a mesma rota, recebendo vários pagamentos por uma mesma prestação.

Denúncia à CGU - Os trabalhos tiveram origem em denúncias apresentadas à Ouvidoria da CGU/RR, sobre a contratação de pessoa jurídica especializada para a prestação de serviços de transporte escolar. As fiscalizações indicaram a existência de uma cadeia de irregularidades na aplicação de recursos oriundos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Os órgãos detectaram ainda a existência de falhas graves como: similaridade na escrita dos ofícios enviados às empresas para a realização da pesquisa de preço; divergência nas assinaturas dos proprietários das empresas; propostas de preço apresentadas pelas empresas com erros de grafia similares e serviços não executados. Os investigados poderão responder também, na medida de sua participação, pelos crimes de peculato, organização criminosa e crimes relacionados à Lei de Licitações (art. 90 da Lei 8.666/1993). A Justiça já decretou o bloqueio de ativos e sequestro de bens e imóveis dos envolvidos.

*Zaragata faz alusão ao estado de desordem em que se encontra tanto a prestação dos serviços de transporte quanto os próprios contratos públicos.


*Com informações da Ascom da CGU e da PF/RR

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