Logo MPF nome Logo MPF

Procuradoria-Geral da República

Indígenas
14 de Julho de 2016 às 15h20

GT Violações dos Direitos dos Povos Indígenas e Regime Militar visita comunidades guarani do oeste do Paraná

Objetivo foi conhecer histórias e reunir memórias de abusos sofridos pelas comunidades no passado

Procuradores da República que compõem o Grupo de Trabalho Violações dos Direitos dos Povos Indígenas e Regime Militar, da Câmara do MPF que trata de assuntos referentes à Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais, visitaram neste mês as comunidades Avá-Guarani dos municípios de Guaíra e Terra Roxa, região oeste do Paraná. O encontro reuniu caciques de 14 comunidades.

A visita faz parte de um projeto do GT e busca reunir memórias das iniciativas do Estado brasileiro que afetaram as comunidades no passado, seja por meio do incentivo de empreendimentos
privados, seja por meio de projetos governamentais.

“A ideia do GT é trabalhar a reconstrução da memória coletiva a respeito das graves violações de direitos do passado, especialmente durante o período da ditadura militar, do ponto de vista dos indígenas. Reconstruir a história e relacionar os danos causados com a situação vivenciada por eles hoje, de modo a buscar alguma forma de reparação coletiva”, explica o procurador da República Lucas Aguilar Sette. Em 2014, durante os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV), uma parte dessas histórias foi relatada pelos Avá-Guarani do oeste do Paraná.

Durante as visitas às comunidades, os procuradores colheram informações dadas pelos anciões das aldeias Karumbey, Marangatu e Y’hovy, que contaram o que viveram com a chegada dos brancos nos territórios de antigas aldeias. Nas entrevistas com os indígenas mais velhos, é muito comum a lembrança do período da Mate Laranjeira, empresa para a qual muitos trabalharam forçadamente.Também foi amplamente relatado o período da construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que alagou áreas de uso dos indígenas, além de elementos importantes na visão de mundo Guarani.

Um dos indígenas ouvidos pelos procuradores relatou o processo de tomada das terras. “Toda vez que alguém chegava com um papel na mão dizendo que era dono daquelas terras, a gente ia um pouquinho pro lado, pra evitar o conflito. Até que um dia não tinha mais lado pra ir, porque já estava tudo ocupado”.

Segundo o coordenador do grupo, procurador da República em Volta Redonda (RJ) Júlio Araújo, o registro das histórias permite compreender melhor as violações que esse povo ainda sofre. “O GT vai discutir a memória e as violações que vários povos indígenas sofreram, principalmente na época da ditadura, não apenas para lembrar, mas também para buscar a concretização do seu direito ao território”, afirmou.

Avá-Guarani - O oeste do Paraná é região de ocupação tradicional do povo Avá-Guarani, onde até hoje estão algumas comunidades, a maioria delas beirando os limites de cercas das fazendas nas áreas antes ocupadas pelos indígenas. Durante o século XX, em diversos momentos os indígenas conviveram com assassinatos de seus parentes, trabalhos forçados, fugas, chegando ao esbulho territorial de várias das comunidades.

*Com informações do Centro de Trabalho Indigenista

 

Secretaria de Comunicação Social
Procuradoria-Geral da República
(61) 3105-6404/6408
Twitter: MPF_PGR
facebook.com/MPFederal

registrado em:
Contatos
Endereço da Unidade
Procuradoria Geral da República
SAF Sul Quadra 4 Conjunto C
Brasília/DF
CEP 70050-900

 

(61) 3105-5100
Atendimento de segunda a sexta, das 10h às 18h.
Como chegar
Sites relacionados
Área Restrita