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Caso Mariana

Apresentação

Bento Rodrigues 1

Foto: Rogério Alves/TV Senado (19/11/2015)

O dia 5 de novembro de 2015 está marcado para sempre na história do Brasil. Neste dia, no meio de uma tarde que poderia ser apenas mais uma calma tarde na rotina dos moradores do distrito de Bento Rodrigues, na cidade de Mariana, em Minas Gerais, teria início um desastre que mudaria drástica e definitivamente as vidas, o passado, o futuro e o destino de milhares de pessoas em uma extensão de 663 quilômetros, desde o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana/MG, passando pelo Estado do Espirito Santo, até atingir o mar territorial brasileiro

Naquela tarde, a barragem de Fundão, construída e operada pela Samarco Mineração S/A - uma empresa controlada pela BHP Billiton Brasil Ltda. e pela Vale S/A -, literalmente veio abaixo, ocasionando o maior desastre ambiental, social e econômico já visto no Brasil e um dos maiores no mundo.

Com o rompimento da barragem, foram lançados, na bacia do rio Doce, mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério. A força destrutiva da lama não poupou nada, nem ninguém em seu caminho. Tudo que pulsava e respirava, ou tudo que simplesmente estava ali, como obra do homem guardando memórias e afetos de séculos de história, foi impiedosamente devastado.

No mesmo cenário de desolação onde foram encontrados, muitas vezes despedaçados pela força da lama, 19 corpos de vítimas inocentes, entre trabalhadores e moradores, pode-se ver arrebatados violentamente animais, árvores, igrejas, casas e túmulos. Naquele lugar e naquele dia, o passado e o presente foram aniquilados ao mesmo tempo e com a mesma força.

O Rio Doce não foi apenas um dos palcos do desastre. Mais do que isto, foi mais uma de suas tantas vítimas. Sufocado pela lama, agoniza, praticamente morto.

Tudo isto não bastasse, ainda têm os atônitos sobreviventes que conviver com a dor de saber que o desastre longe de ter sido, ou melhor, antes de ser uma fatalidade, podia ter sido evitada. Antes de ser um capricho do destino, foi uma soma de fatores que estavam em mãos humanas.

O símbolo do prenúncio do desastre é a anônima moradora que, heroicamente, montada em sua pequena moto, percorreu, incansável, os caminhos do lugarejo e aos gritos avisou dezenas de pessoas da chegada da lama de rejeitos. A moradora, heroína sem medalha, fez-se de alto-falante humano porque no local não havia uma sirene sequer instalada. Não, não foi uma fatalidade. O desastre do Rio Doce foi anunciado aos seus protagonistas por meio de várias ocorrências anômalas ao longo de anos.