Logo MPF nome Logo MPF

Pará

Criminal
7 de Outubro de 2019 às 11h40

Suspeito de liderar grupo que tentou matar servidores do Ibama e incendiar caminhão do Exército no Pará já respondia por crimes (atualizada)

MPF divulgou balanço de ações nesta segunda-feira (7)

Imagem de cela de uma prisão, com destaque para as barras de ferro.
Acima, o texto "Ação criminal".

Arte: Ascom MPF/PA, com imagem de Ichigo121212, via Pixabay.com

O madeireiro Wesley Pádua de Oliveira, investigado como suspeito de liderar o grupo que atentou contra a vida de fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e ameaçou incendiar caminhão do Exército em Placas, no oeste do Pará, já respondia a quatro ações penais com investigações realizadas ou iniciadas pelo Ministério Público Federal (MPF) quando os atentados ocorreram, em julho deste ano, e esta semana ele foi denunciado pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) em uma quinta ação penal que também teve investigações feitas na esfera federal.

Das cinco denúncias criminais, três foram  ajuizadas na Justiça Federal pelo MPF entre julho de 2018 e janeiro de 2019. Na Justiça Estadual, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) ajuizou uma denúncia em 15 de julho deste ano - a mesma data dos atentados - e outra nesta quarta-feira (09). Somadas as penas máximas previstas para os crimes citados em todas as ações, o acusado está sujeito a até 30 anos de prisão.

Nas ações, Oliveira, conhecido como Ceguinho, foi denunciado três vezes por manutenção de depósito ilegal de produtos florestais, duas vezes por desmatamento ilegal, e também por receptação qualificada, por queimada de florestas, por invasão de terras públicas (esbulho), por usurpação de patrimônio da União, e por furto qualificado.

Os crimes, segundo as ações do MPF e segundo o Ibama, foram cometidos na Terra Indígena Cachoeira Seca do Iriri, do povo Arara, localizada em Altamira, Placas e Uruará, e nos Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDSs) Castanheira, Arthur Faleiro e Avelino Ribeiro, em Placas.

Prisão preventiva – Wesley Pádua de Oliveira está preso preventivamente por decisão da Justiça Federal decretada em setembro, quando mandados de prisão e de busca e apreensão pedidos pelo MPF em Santarém (PA) e autorizados pela Justiça Federal foram cumpridos pela Polícia Federal (PF) na operação Flamma e em outra operação realizada em Placas e em Santarém contra o grupo investigado pelos atentados e outros delitos. As operações contaram com apoio do MPF, da Força Nacional, do Exército e da Polícia Rodoviária Federal.

Os dados obtidos nessas operações, e outras informações que vêm sendo coletadas nas investigações, poderão dar origem a novos processos judiciais contra os suspeitos de planejar e executar os atentados em Placas.

Atentado ao Ibama – A tentativa de duplo homicídio qualificado contra a vida de servidores públicos e o atentado contra o patrimônio público do Ibama e do Exército ocorreram em Placas em 15 de julho.

Segundo depoimentos de servidores do Ibama, e registros de autuações, apesar de a madeireira de Wesley Pádua de Oliveira estar sob vários embargos da autarquia ambiental e de ter sido lacrada, no dia da fiscalização foi detectado que os lacres tinham sido rompidos e que a empresa estava funcionando normalmente.

Na madeireira houve um início de tensão e os fiscais foram acuados por um grupo que se encontrava na empresa. Os dois servidores decidiram ir buscar apoio do Exército. Ao sair da empresa, a viatura do Ibama foi perseguida pelo grupo, que utilizava motocicletas e um caminhão carregado com madeira. O caminhão era dirigido por Cristiano de Sousa Paiva, vulgo Metralha, já conhecido dos servidores do Ibama por recorrentemente liderar tumultos contra fiscalizações ambientais na região.

O caminhão emboscou o veículo do Ibama, fechando o caminho e impedindo a passagem. Em seguida, Metralha desceu da boleia, pegou galões de combustível e pneus velhos na carroceria do caminhão e passou a derramar o líquido no veículo da autarquia ambiental, que só não foi incendiado porque os fiscais conseguiram manobrá-lo rapidamente e fugir.

“Não é a primeira vez que tentam me matar. [Já sofri] Ameaças, [e] ameaças a filhos”, relatou à imprensa um dos servidores do Ibama atacados, que preferiu não se identificar.

Atentado ao Exército – Mesmo após o Ibama já ter conseguido apoio do Exército, o grupo da madeireira de Ceguinho não se intimidou. Segundo militares ouvidos nas investigações e informações do delegado da PF Gecivaldo Vasconcelos Ferreira à imprensa, por três vezes Metralha jogou o caminhão carregado de madeira para cima do caminhão do Exército em trânsito, na tentativa de fazer com que o veículo militar saísse de uma rodovia.

Metralha foi auxiliado por um comparsa, que dirigiu um carro de passeio em baixa velocidade em frente ao caminhão do Exército, para facilitar as investidas do caminhão carregado de madeira contra o veículo militar.

A equipe do Ibama e do Exército foram à delegacia da cidade. O grupo da madeireira voltou a segui-los, e cercou o caminhão do Exército em frente à delegacia, ameaçando atear fogo no veículo do Ibama e também no caminhão do Exército. Um dos ameaçadores chegou ao local com uma caminhonete com vários galões de combustível. Foi preciso que os militares engatilhassem suas armas para evitar que o grupo se aproximasse do caminhão do Exército.

Os servidores do Ibama permaneceram sitiados na delegacia das 11h às 23h, e só conseguiram deixar o local após uma negociação com uma comissão de moradores. Durante o dia, as pontes de madeira de duas saídas da cidade foram queimadas.

Metralha, o acusado de jogar combustível na viatura do Ibama e de tentar jogar o caminhão do Exército para fora de uma rodovia, foi alvo de uma das operações de cumprimento de mandados de prisão realizadas em setembro, mas não foi encontrado e segue foragido.

 

Processo nº 0004560-21.2018.4.01.3902 – 2ª Vara da Justiça Federal em Santarém (PA)

Consulta processual

 

Processo nº 0002770-02.2018.4.01.3902 – 2ª Vara da Justiça Federal em Santarém (PA)

Consulta processual

 

Processo nº 0000079-78.2019.4.01.3902 – 2ª Vara da Justiça Federal em Santarém (PA)

Consulta processual

 

Processo nº 0003667-62.2019.8.14.0066 - Vara Única da Justiça Estadual em Uruará (PA)

Consulta processual

 

Processo nº 0005447-37.2019.8.14.0066 - Vara Única da Justiça Estadual em Uruará (PA) 

Consulta processual

 

(Texto alterado às 15h00 de 09/10/2019 para inserir as informações sobre as denúncias ajuizadas pelo Ministério Público do Estado do Pará a partir de investigações iniciadas pelo Ministério Público Federal no Estado)

Ministério Público Federal no Pará
Assessoria de Comunicação
(91) 3299-0148 / 3299-0212
(91) 98403-9943 / 98402-2708
prpa-ascom@mpf.mp.br
www.mpf.mp.br/pa
www.twitter.com/MPF_PA
www.facebook.com/MPFederal
www.instagram.com/mpf_oficial
www.youtube.com/canalmpf

registrado em:
Contatos
Endereço da Unidade

Travessa Dom Romualdo de Seixas, 1476

Edifício Evolution

Umarizal – Belém/PA

CEP 66.055-200

PABX: (91) 3299-0111
Atendimento de segunda a sexta, das 12 às 18h

Sala de Atendimento ao Cidadão:

10 às 17h

 

Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão:

9 às 18h

 

Protocolo:

9 às 18h

 

Biblioteca:

13 às 18h

 

Plantão:

Telefone: (91) 98404-6620

O plantão da Procuradoria da República no Pará funciona em apoio ao plantão da Justiça Federal e também para o atendimento dos casos emergenciais de violação dos direitos do cidadão e da coletividade, por meio de pedidos, ações, procedimentos e medidas de urgência destinadas a evitar perecimento e danos a direito individual, difuso e coletivo, assegurar a liberdade de locomoção e garantir a aplicação da lei penal. Período e horário do plantão: Sábados, domingos, feriados, recessos e nos dias úteis iniciará às 18h01 e finalizará às 08h59 do dia seguinte, bem como abrangerá também as Procuradorias da República nos municípios do Pará nos finais de semana, nos feriados, nos pontos facultativos e nos recessos.

Como chegar
Sites relacionados
Área Restrita