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Pará

Procuradoria da República no Pará

Criminal e Meio Ambiente
5 de Julho de 2016 às 13h46

Rios Voadores: irmã do chefe da quadrilha de desmatadores é presa em SP

Ana Luiza Junqueira Vilela Viacava chegou dos Estados Unidos hoje e foi presa depois de ser captada em interceptação telefônica ordenando destruição de provas

Indígenas e fiscais do Ibama queimam motosserras apreendidas na operação Kayapó, em 2014, que deu origem à operação Rios Voadores (foto: Ibama)

Indígenas e fiscais do Ibama queimam motosserras apreendidas na operação Kayapó, em 2014, que deu origem à operação Rios Voadores (foto: Ibama)

A Justiça Federal concedeu a prisão preventiva de Ana Luiza Junqueira Vilela Viacava, irmã de Antônio José Junqueira Vilela, o AJ Vilela, chefe da quadrilha que desmatava e grilava terras no interior do Pará, desbaratada na semana passada na passada na operação Rios Voadores. Ana Luiza chegou ao Brasil hoje, dos Estados Unidos, e foi presa ao desembarcar, em São Paulo. Ela está sendo interrogada na capital paulista.

O pedido de prisão foi feito pela Polícia Federal com base nas interceptações telefônicas, e o Ministério Público Federal (MPF) deu parecer favorável, pelo risco de destruição de provas. Após a prisão de nove integrantes da quadrilha na semana passada, Ana Luiza foi flagrada ordenando, por telefone, a um homem não identificado, que destruísse provas dos vários crimes de que ela e outras pessoas são acusadas. O irmão de Ana Luiza, AJ Vilela, considerado o chefe do esquema pelas autoridades, continua foragido, assim como o marido dela, Ricardo Viacava.

A operação Rios Voadores uniu investigadores do MPF, Polícia Federal, Receita Federal e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e cumpriu um total de 28 mandados de prisão preventiva, condução coercitiva e buscas e apreensões nos estados do Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

O esquema movimentou R$ 1,9 bilhão entre 2012 e 2015 e destruiu 300 km quadrados de florestas em Altamira, no Pará, área equivalente ao território de municípios como Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG) ou Recife (PE). O prejuízo ambiental foi de R$ 420 milhões.

Segundo as investigações, o grupo invadia florestas em terras públicas, retirava e vendia a madeira de valor mais alto, e depois derrubava a mata remanescente e ateava fogo. Na terra devastada era plantado capim e instalada criação de gado. Para praticar esses crimes a organização criminosa utilizava mão de obra submetida a condições semelhantes às de escravos.

Após a consolidação das pastagens, o grupo registrava os terrenos em cadastros ambientais rurais oficiais. Os registros eram feitos em nome de laranjas (pessoas que servem como intermediárias em negócios fraudulentos). As pastagens, então, eram exploradas pelos próprios integrantes do grupo ou arrendadas para terceiros.

Por essas e outras irregularidades, Jotinha figura hoje como o infrator que recebeu multas de maior valor já aplicadas pelo Ibama na Amazônia (R$ 163 milhões em dez autos de infração), e que é responsável pela maior área já embargada pela autarquia na região (300 km quadrados).

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