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Danos à saúde

Existem seis tipos diferentes de amianto na natureza. O tipo explorado em Bom Jesus foi o anfibólio, espécie que exibe o maior potencial de dano e está proscrita no Brasil desde 1991. Mas, segundo a Organização Mundial de Saúde, todos os tipos de amianto são cancerígenos e não há níveis seguros de exposição à substância.

Quem trabalha diretamente com o amianto - seja na extração do minério, seja na fabricação de produtos que utilizam essa matéria-prima - está mais sujeito a desenvolver problemas de saúde. Dados da OMS mostram que pelo menos 107 mil pessoas morrem todos os anos de câncer do pulmão, mesotelioma e asbestose relacionados ao amianto, como resultado da exposição no ambiente profissional. E, embora o risco seja maior para os trabalhadores, as doenças podem afetar também suas famílias, além das pessoas que vivem perto de minas e consumidores.

As doenças mais recorrentes são a placa pleural, que atinge cerca de metade dos trabalhadores do setor, e a asbestose, que alcança de 10% a 92% dos expostos ao amianto, conforme o tempo de contato. Mesotelioma maligno, câncer de pulmão, câncer de laringe, carcinoma gástrico também ocorrem, além de outras enfermidades mais raras.

Doenças mais comuns

  • Asbestose: também conhecida como pulmão de pedra. Os primeiros sintomas aparacem de 10 a 20 anos depois da exposição ao amianto. A asbestose é resultado da tentativa do organismo de cicatrizar as lesões causadas no pulmão pelas fibras do amianto. Esse processo faz com que o pulmão perca elasticidade; aos poucos, a capacidade respiratória da pessoa vai diminuindo. Os sintomas são falta de ar, emagrecimento, dores nas costas e pernas, entre outros. Com a evolução da doença, mesmo atividades triviais, como pegar um copo d'água na cozinha, podem se tornar difíceis.
  • Câncer de pulmão e de laringe
  • Mesotelioma: tumor maligno da pleura (tecido que reveste o pulmão) e do peritônio (tecido que reveste a cavidade abdominal). Pode aparecer cerca de 35 anos após a contaminação, com sintomas como falta de ar, acumulação anormal de líquido na região do abdômen, dor torácica, tosse, cansaço e perda de peso. A doença tem um prognóstico ruim: depois que é confirmada, os pacientes têm de um a dois anos de vida, em média.
  • Placa pleural e outras doenças pleurais: são benignas, mas podem causar incômodos como falta de ar e fadiga. O aparecimento de doenças pleurais sinaliza a exposição ao amianto, indicando que a pessoa pode vir a desenvolver doenças mais graves no futuro.

Fontes:
Instituto Nacional do Câncer (Inca) 

Organização Mundial de Saúde (OMS): Publicação Amianto Crisótilo 

Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea)